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O plano de cargos e salários como ferramenta de qualidade da administração de recursos hum

A lavagem de roupas é um procedimento técnico-profissional que atende a três necessidades: conforto, durabilidade e segurança sanitária. Para que a qualidade seja garantida, manter funcionários comprometidos com a organização é a essência da garantia para atingir a meta da organização e das pessoas.

Por Roberto Maia Farias

O plano de cargos e salários como ferramenta de qualidade da administração de recursos hum

O ser humano ao evoluir pelas necessidades, pelos costumes ou pelas regras exigíveis provoca mudanças substanciais na sociedade influenciando no comportamento de aquisição ou de fornecimento de novos comportamentos. Essas mudanças, quando bruscas e radicais transformam os objetivos naturais de uma sociedade, transformando-a e interferindo sobremaneira nas próximas gerações. A tecnologia e os conceitos socioeconômicos são fatores preponderantes dessas mudanças sociais e comportamentais.

Segundo Maximiano (2004, p. 25), a sociedade humana é feita de organizações entre pessoas que fornecem produtos ou serviços e são fornecidas por outras organizações também de pessoas. Nesse aspecto está orientada para o atendimento da suas diversas necessidades sejam físicas, morais ou intelectuais objetivando suas realizações pessoais, funcionais e coletivas. É um processo cíclico e ininterrupto de evolução social de aquisição e fornecimento.

Maximiano (2004, p. 48) descreve que as pessoas que criam e dirigem essas organizações necessitam de regras sociais, econômicas e jurídicas para solucionarem seus problemas e atingirem seus objetivos. Algumas regras ou teorias foram e são aplicadas e desenvolvidas para explicarem a realidade prática e de certa forma objetivar a metodologia de repetição.

Conforme Ferreira, Reis e Pereira (1997, p. 67 - 95), as mudanças sociais positivas requerem postura e atitude. Não é possível prevê mudanças de comportamento sem o conceito disciplinar. As atitudes devem estar solidificadas na linha disciplinar quanto ao objetivo. As formas de chegada ao objetivo são desenvolvidas em função dos produtos, da sociedade e dos fatores econômicos. É preciso mudar para sobreviver a dura e contínua imprevisibilidade ambiental em constante mutação. Antecipar as ações para o futuro é buscar vantagens competitivas.

Cita ainda, Maximiano (2004, p. 49), que a ciência administrativa colabora diretamente para essa evolução. Os pioneiros desses estudos tanto nas escolas conhecidas como clássica, Comportamental e Pensamento Sistêmico induziram ou foram induzidos pela sociedade na elaboração de suas teorias. A complexa estrutura organizacional social inicia com a família e são multiplicados a partir da convivência com outras pessoas nas empresas, em associações, sindicatos etc.

Nos tempos atuais, com a globalização e a virada do milênio, a busca da qualidade deixou de ser preocupação apenas das grandes empresas industriais e passou a constituir-se em prioridade para toda organização desejosa de seu desenvolvimento. Neste sentido, a qualidade deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade para todas as organizações industriais e de serviços, uma vez que o mercado está cada dia mais complexo e competitivo.

A maioria das empresas despertou para a necessidade de melhorar, como um todo, seu desempenho adotando a participação coletiva de seus membros como indutores do sistema de prosperidade sempre centrados na qualidade cujo objetivo final é alcançar a satisfação do cliente e ampliar os benefícios para os próprios membros da organização e, conseqüentemente, da sociedade.

O setor de hospedagem para lazer e de saúde, hotel e hospital, não fogem a esta regra. O hotel atrai parceiros de partes dos seus serviços com o intuito de assegurar a plena satisfação dos hóspedes durante sua estada. Um desses serviços é a qualidade do enxoval hoteleiro que deve estar limpo e higienizado. Nesse aspecto a teceirização ganhou destaque, atualmente, praticamente, todos os hotéis já utilizam os serviços de lavagem de roupa em lavanderias terceirizadas.

No hospital o setor de processamento de roupas ou a lavanderia hospitalar presta serviços de apoio e atendimento aos pacientes, responsabiliza-se pelo processamento e distribuição da roupa em perfeitas condições de higiene e conservação, na quantidade adequada a cada unidade do hospital. (GOODWIN, 1994).

A lavanderia hospitalar tem grande importância no conceito “higiene é saúde” uma vez que, a eficiência de seu funcionamento contribui diretamente na eficiência do hospital, refletindo especialmente no controle de infecções; recuperação, conforto e segurança dos pacientes; facilidade, segurança e conforto da equipe de trabalho; racionalização do tempo e material, e redução dos custos operacionais.

Apesar da evidencia conceitual e prática dessa importância, na maioria dos hospitais, o serviço de lavanderia não recebe a atenção devida, sendo muitas vezes confiada a trabalhadores sem os devidos conhecimentos técnicos, quer pela carência de profissionais com formação específica na área, quer pelo descaso por parte de alguns dirigentes dos hospitais, com relação à esse setor (MEZZOMO, 1984).

A falta de conhecimento e/ou de aplicação das técnicas corretas de processamento da roupa, levam as lavanderias a funcionar com bases empíricas. Segundo Mezzomo (1984), nestes casos, a lavanderia pode apresentar custos operacionais de até 100% superior ao normal, além de comprometer a qualidade da roupa lavada.

Quem atua na área de saúde deveria ter noções, hábitos e cuidados para não contrair doenças, sofrer acidentes ou contaminar os pacientes. No entanto, a formação de muitos destes profissionais não aborda este aspecto. Além disso, muitos funcionários são admitidos sem treinamento e passam a exercer funções sem estarem familiarizados com os procedimentos do serviço (DEFFUNE, 1995).

A desqualificação ou a falta de qualificação ocorre pela baixa cultura do processo de lavar roupas, pela falta de treinamentos especializados (baixa existência de cursos específicos), ausência de indicadores de controle de qualidade etc.

Segundo Farias (2006, p 21-35) a evolução dos métodos, processos e produtos da lavanderia transformam o processo de convencional para científico reduzindo o empirismo e os “achismos” tão largamente aplicados. Porém, esse aspecto não pode ser ilustrado para os recursos humanos da lavanderia. É uma regra paradoxal – elevada tecnologia nos métodos, processos e produtos e baixo conhecimento dos seus operadores e, por conseguinte dos seus gestores.

O sistema de hospedagem (hotéis e hospitais) ultrapassou os limites da hospitalidade, deixando a clara relação de intimidade entre os usuários [hóspedes e pacientes] e o enxoval hoteleiro. Portanto para que o enxoval atenda aos objetivos as lavanderias devem operar com o foco na qualidade. Essa qualidade é uma somatória de métodos, processos, produtos e recursos humanos. Porém, como estão os operadores dessas lavanderias? Qualificados? Treinados? Motivados? Satisfeitos? Ou será que as lavanderias estão regredindo no desejo de qualificação?

A qualificação e a padronização de métodos, processos, produtos e serviços tem como objetivo a busca da competência organizacional e, sobretudo, da produtividade. O foco está na velocidade e no fortalecimento da competitividade empresarial. Essa busca é mais intensificada quanto mais acirrada for a concorrência entre as empresas, principalmente no âmbito global.

As teorias organizacionais propostas a partir dos estudos científicos pós-revolução industrial e inseridas na atividade industrial já demonstraram que os resultados pretendidos são alcançados, independentemente do foco, se a padronização, a produtividade, a qualificação operacional, a estrutural e, principalmente o financeiro.

A mescla e a evolução dessas teorias científicas e a interdisciplinaridade com outras ciências ampliaram seu escopo para outras atividades econômicas demonstrando também resultados satisfatórios. A implantação de processos de qualidade objetiva e mensurável não é novidade no mundo empresarial. Várias empresas já, comprovadamente, demonstraram sua capacidade de reorganização, inclusive financeira pela aplicação desses métodos de qualificação.

Embora toda essa situação – visão de qualidade - esteja parcialmente definida, a qualificação operacional da maioria das lavanderias ainda caminha na linha empírica. Os profissionais de lavanderia são contratados sem exigências rigorosas, poucos são treinados e muitos não ousam buscar uma ascendência profissional por inclusive não existir um plano de cargo e salário efetivamente aplicado nas lavanderias pesquisadas.

A capacitação e a definição de plano de cargos e salários permitem que a lavagem de roupas não seja mais focada como um fator de remoção de excrementos e sim como um fator de conforto e segurança sanitária para seus usuários. Nesse caso devemos admitir que é necessária uma invasão na estrutura apresentada para redirecionar a lavanderia para o patamar da qualificação operacional e afirmar que “A lavanderia não pode mais ser considerada como uma evolução da lavadeira à beira de um riacho”.


Fonte: Administradores.com.br

Link: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/o-plano-de-cargos-e-salarios-como-ferramenta-de-qualidade-da-administracao-de-recursos-hum/59923/


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